Adega

A adega da Quinta das Amendoeiras é nova, sim, mas sem deixar de ser velha, fruto que é da remodelação de um edifício centenário.
O projecto, assinado pelo arquitecto Paulo Viana, preservou as velhas paredes de xisto e granito e dois lagares originais. Outros dois lagares foram removidos para em seu lugar se introduzir o equipamento mais moderno.
Velhos lagares de granito e modernas cubas de aço inox com bombas de remontagem e controlo de temperatura convivem bem naquele espaço, e ilustram a maneira como se quer viver a relação entre tradição e tecnologia na Quinta das Amendoeiras.
Manteve-se também o desnível original entre as áreas de fermentação e de armazenamento, de maneira a recorrer o mínimo possível ao uso de bombas – na Quinta das Amendoeiras a gravidade está a favor do menor esforço: todo o processo é feito de cima para baixo, de maneira a que, além do próprio vinho, também o engaço e o bagaço contem com a ajuda da gravidade para serem descarregados.
O telhado, que estava prestes a ruir, assenta-se hoje em vigas de metal. O forro é de madeira e o espaço entre o forro e as telhas é preenchido por um poderoso isolante térmico, de maneira a garantir as menores variações possíveis de temperatura.
Tudo pelo conforto do vinho.

Equipamento

O equipamento em que mais se investiu para produzir um vinho com a qualidade do Negreiros foi a própria adega. Mas todo esse investimento seria dinheiro perdido se não o recheássemos com um equipamento à altura.
A começar pelo princípio: as caixas de vindima. São meras caixas de plástico (plástico alimentar, sem odores próprios). Parece banal, e talvez seja, mas é aí que se começa a fazer um vinho de qualidade. São caixas que não recebem mais de 25 Kg de uvas, de maneira a que os frutos não se esmaguem uns aos outros sob o próprio peso, e que cheguem intactos ao desengaçador.
O desengaçador “cospe” o engaço para cima do atrelado do tractor e deixa que as uvas caiam no esmagador, que lhes impõe apenas a pressão necessária para abrir a película, sem afectar as grainhas, que vão preservadas para a bomba de massas.
A bomba de massas empurra, vagarosamente, as uvas para os lagares, onde são pisadas a pé ou para três cubas de fermentação (uma de 2.500 litros e duas de 5.000 litros cada). Nas cubas, as bombas de remontagem começam a ser accionadas pouco depois que o enchimento das cubas se completa: puxam o mosto de baixo e regam em cima a manta (partículas sólidas que bóiam enquanto ainda não é vinho, mas mosto – denso em açúcares). Nos lagares, a rega da manta é feita manualmente.
O pesa-mosto e o termómetro estão sempre vigilantes. Mal a densidade comece a cair (sinal de que os açucares começam a tornar-se álcool e o mosto, vinho), acciona-se o frio das cubas, de modo a que a fermentação seja lenta, meticulosa, paciente, de maneira a que nada, nenhum aroma lhe escape.

Terminada a fermentação, começa a prensagem – a parte mais suja e braçal da produção do vinho. A prensa é electro-mecânica, o que nos livra de algum trabalho (mas ainda nos deixa muito por fazer. E fazemos. Devagar).
O vinho é prensado no andar de cima e levado, por gravidade, para a zona de armazenamento, cinco metros abaixo.  Depois de decantado e passado a limpo, o vinho é posto nos cascos de carvalho francês, com que temperamos e damos luz, reflexos e brilhos ao Negreiros.

E é também na adega, que enchemos, tapamos e “vestimos” cada garrafa de Negreiros que lhe chega.

 

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