A este vinho corresponde uma música. Foi composta pelo maestro Vasco Negreiros (e o apelido não é mera coincidência), fundador e director do Vocal Ensemble.

O vinho já foi, ao longo dos tempos, objecto de uma quantidade incontável de músicas – quer pelo que é, quer pelos seus efeitos, quer, também, pelo que o seu processo de fabrico inspira. Mas, neste capítulo, especificamente, o tom sempre foi dado pelo bucolismo da linda menina corada a colher o bago. Talvez ninguém tenha incluído, pelo menos com a radicalidade com que Vasco Negreiros o faz, a parte mais industrial, moderna, metálica, eléctrica, dessa indústria (desengaçador, bombas, tampas de inox a bater, barulho de adega, enfim). E não são barulhos simulados ou sequer estilizados. São os ruídos da própria adega, colhidos na própria adega (como, aliás, também as seis vozes humanas, inteiramente humanas, foram gravadas na adega).